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sexta-feira, julho 29, 2011

SER ATEU OU SER À TOA - this is the question

Ser ou não ser ateu em nada modifica nossa ligação com o divino. O que distancia e nos aproxima desse Deus que muitas das vezes alguns negam existir, é o que praticamos. Se praticarmos o mal, seremos dominados por energias negativas e refletiremos opaca radiação luminosa, se praticarmos o bem receberemos radiações positivas e refletiremos alta solaridade, brilho e luminescência. Digo para não nos atormentarmos em ser ou não ser ateu, por que. Nos recônditos e imemoriais assentamentos de nossa origem, queiramos ou não, está registrado que somos filhos do Criador, não somos uma ameba criada por geração espontânea. No mínimo somos mais um dos enganados como enganado foi Darwin que veio para dividir instalando mais um imbróglio existencial, colocando milhões de seres num paradoxo à origem humana. Assumir-se ateísta no mundo terráqueo onde a maioria diz ser filho de Deus embora pouco ou nada pratiquem para justificá-lo é demais diferente, instalam-os no Olimpo dos mais insensatos comentários, aversões, divisões e até agressões. No atual estágio do Coliseu Humano em que se transformaram as relações interpessoais, professar o ateísmo coloca-os em risco e descrédito, lança-os na mesma fogueira onde arderam e ardem os inocentes queimados pela Inquisição. Por experiências sensoriais posso dizer que. O dia que abruptamente contorcer-se a terra sob os pés de todos os desinformados espirituais, como as contorções acontecidas no Haiti, com certeza gritarão, Meu Deus!. Este clamor está gravado, mas ainda adormecido no inconsciente coletivo da maioria dos que aqui habitam, hiberna no lado escuro de nossa consciência. Caros ateístas, sejam gentis consigo mesmo, não se comparem aos outros que sofrem incompreensões, também não se coloquem no lugar de vítimas, usem suas inteligências e pró-atividade para descobertas mais libertárias e reveladoras de suas existências. Libertem-se da Caverna de Platão e mostrem que sua ATEA não existe À TOA.
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domingo, março 21, 2010

MILITANTES OU MILÍCIAS


Não sou eleitor de José Serra e muito menos de Dilma Rousseff. Sou eleitor de Marina Silva por entender que a sociedade brasileira e a democracia já têm maturidade suficiente para ungir pelo voto o nome de uma mulher a Presidente da República. Marina tem trajetória política, tem ética e história limpa. Fui eleitor de Lula desde 1982 em São Paulo, contra Franco Montoro que venceu a eleição para governador. A relação carnal e visceral de Lula com Sarney e o "mensalão" macularam nossas metamorfoses, destruíram nossos sonhos. O Partido dos Trabalhadores não se igualou aos outros partidos, transformou-se numa excrescência, o PT chafurda na areia movediça da corrupção e do clientelismo tendo como premissa básica "tudo pode pela governabilidade". A ânsia de poder do partido cada vez mais se distancia da governança. Dilma se eleita, sinaliza que nos trará problemas institucionais graves, pois demonstra claramente que é vingativa, uma marxista enrustida e mal resolvida, o Chávez de saias. Vedes o balão de ensaio do PNDH3, quem viver verá. Portanto, o que aconteceu com o governador José Serra em Francisco Morato/SP, quando saía da inauguração da ETec, é inaceitável e condenável. Serra foi atacado por uma gangue travestida de militantes, e de criminosos maquiados de cidadãos.
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sábado, março 13, 2010

O INFERNO É AQUI



Chegou à hora da Igreja Católica reconhecer que o dogma não é intocável. A secular e poderosa instituição precisa urgentemente revisar a doutrina da fé. Não falo em modernização dos ensinamentos, nem adaptação ao comportamento modernista da sociedade. Tenho consciência que muitos atos humanos na maioria das vezes não condizem com a famosa citação latina “mens sana in corpore sano" derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal, e que apesar das generalidades do mundo moderno expressam o conceito de equilíbrio saudável no modo de vida de uma pessoa. Falo no sentido que a grande instituição religiosa, pressionada pelo fogo da transformação e firmada no primado da verdade, reestude doutrinas, práticas e costumes seculares que não condizem com a realidade da exegese espiritual, tão dignamente representada por Jesus numa época em que não existia catolicismo e a doutrina era transmitida pela Tradição Oral. O Messias por ser Universal e Libertador não pode ser aprisionado por nenhuma religião, o Cristo é de todos que praticam sua doutrina e o mantêm na memória e no coração. Uma dos primados que precisa ser revisto é o celibato, o sacerdote necessita repartir o pão e os bens, constituir família e gerar filhos para poder orientar e aconselhar com propriedade os que precisam, pois viverá a complexa realidade do casamento, um dos mais difíceis testes a que são submetidos às mulheres e os homens de Deus. A igreja é dirigida por homens que tem desejos, reações e sentimentos, que o princípio da fé cristã “crescei e multiplicai-vos” não deva ser responsabilidade única de homens e mulheres não clericais, e que por questões de igualdade e justiça divina são atribuições de todos. Enquanto a igreja católica doutrinar sem se transformar, objetivando impedir seu povo de ir para o inferno, mais e mais escândalos sujeitarão a milenar ordem ao vexame, a vergonha e a perda de fiéis. O inferno é aqui, habitado por seres humanos que praticam muito mais ações negativas que positivas, e mesmo que batizados continuamos pagãos, sedentos de perdão, amor, luz e sabedoria. Sair do Inferno é a maior missão de toda a humanidade mesmo não sabendo como. Mas, se praticarmos o bem com ações justas e positivas, se amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, se repartirmos o pão e as riquezas excedentes, com certeza nos perdoaremos e encontraremos o caminho limpo e sadio. Para encontrarmos o caminho da liberdade responsável não precisamos viver dependentes de igrejas ou pastores, pois, quanto maior a sanidade no povo menos religioso ele é, e maior é seu grau de consciência e libertação. Na história da igreja eivada de percalços, em nenhum momento o clero atingiu estado numinoso, poder celeste para consagrar este ou aquele como santo, embora o Olimpo cristão esteja repleto de auras, é santo para todos os dias. Ungir é competência divina, somente a sanidade identifica a santidade, somente o puro identifica a pureza. João Batista e Maria, mãe de Jesus, nos deram claras sinalizações que já estavam acordados, gozavam da sanidade, a saúde perfeita, a santidade. Mas, ao contrário, a Inquisição instalou a barbárie, capacitou-se a demonizar e lançar as fogueiras, milhares de pessoas, quantos santos verdadeiros foram queimados? Em verdade, a instituição católica precisa aproximar-se de seu povo, humanizar-se. O dogma é tocável, a igreja precisa manter a mão na terra e a cabeça no além se religando a espiritualidade consciente. Se assim o fizer, milhões voltarão.
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domingo, fevereiro 14, 2010

COP15

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP15, realizada dos dias 07 a 18 de dezembro de 2009 na cidade de Copenhagen na Dinamarca, gerou continentais expectativas na população mundial que aguardava o anúncio de novos paradigmas, mudanças, e novo norte nas relações entre países poluidores e predadores das reservas da biosfera. Aguardávamos maiores envolvimentos e responsabilidades dos países considerados como os maiores emissores de CO2 na atmosfera. Mas, China e Estados Unidos tiveram pífia e egoísta participação, mais uma vez os dois países olharam para o próprio umbigo. Para milhões de cidadãos, a participação americana e chinesa mostrou ao mundo a inconsequente prática insana do cada um por si e salvem-se os que puderem. Mesmo com tamanha decepção com os resultados obtidos na COP15, renova-se a visão transcendente e amplia-se nosso foco em direção a espiral do movimento enteógeno, ao reconhecermos que a natureza por ser sábia não se vinga contra a natureza humana. A equilibrada biosfera, viva, pulsante e mutante, em sua etérea missão movedora e renovadora, ocupa as áreas degradadas e desequilibradas, corrigindo pela força gravitacional e pressão atmosférica, as mutilações causadas pelos homens, nos mares, rios, encostas e florestas.
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sábado, fevereiro 13, 2010

É DIFÍCIL GOVERNAR PARA OS POBRES

A vida é célere e mutante. Hoje, no limiar de 2010, grande parte do país enfrenta as endêmicas, previsíveis e trágicas catástrofes causadas pelas chuvas. Bairros do subúrbio do Rio de Janeiro e municípios do estado; zona norte e centro da cidade de São Paulo e cidades do interior; cidades do sul do país, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Os cidadãos sofrem com os fenômenos da natureza, justamente por morarem em áreas reconhecidamente de riscos, sofrem pelo descaso calculado dos governantes no controle de ocupações de áreas e por falta de investimentos em saneamentos em aglomerados urbanos. Governar para os pobres principalmente os mais carentes, são missões espinhosas e complexas por serem os mais atingidos nas catástrofes pluviais. Pressionados pela pobreza e especulação imobiliária, sujeitam-se a morar em áreas inseguras, desprovidas de estruturas em saneamento básico e de total ausência do estado. Historicamente são personagens do êxodo humano que abandonaram as senzalas e construíram as favelas, e lembrados apenas de quatro em quatro anos quando alcançados pelo discurso fácil e hipócrita dos salvadores da pátria. A ausência do governador Sérgio Cabral no início do acidente em Angra dos Reis e o semblante desconfortável e contrariado do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, demonstra as dificuldades que as autoridades têm ao enfrentar as adversidades, ouvir acusações de descaso, de inaptidão e má gestão e, ao constatarem o despreparo da defesa civil. As crises e catástrofes causam maiores transtornos, desconfortos, e reações positivas aos governantes, quando se preocupam com o ônus que colherão por suas ações, seja por inércia e inapetência ou por atos determinados e competentes. Hoje, a ribalta se ilumina anunciando novas eleições e, é dado o start do race eleitoral, a insana disputa para quem chegará ao primeiro lugar na reta final. Nas urnas, os eleitores deverão se colocar no lugar de fiéis da balança ao pesar os graus de (in)satisfações e consagrarão mais um quadriênio para os postulantes aos cargos públicos.

É FÁCIL GOVERNAR PARA OS RICOS

A sexta-feira luminosa de 02 de outubro de 2009 ficou gravada na memória dos amantes dos esportes. Neste dia, os canais de TV do mundo inteiro mostravam imagens ao vivo diretamente de Copenhague, capital da Dinamarca, mais precisamente do Centro de Imprensa Bella Center, onde o Comitê Olímpico Internacional realizou o sorteio para a escolha da cidade onde se realizará os Jogos Olímpicos de 2016. Para júbilo e glória do COI nacional a cidade do Rio de Janeiro foi à escolhida. O Brasil investiu de 1992 a 2009, a bagatela de R$ 180 milhões somente para concorrer como optante a vaga de cidade sede, para os jogos de 2000, 2004, 2012 e 2016. Após a escolha da capital fluminense, a alegria no país foi pulverizada, direcionada e flagrantemente induzida. Em Copenhague não foi diferente, e notou-se o enorme palanque montado pelas autoridades de nosso país. A poliglota e festiva comitiva brasileira, contou com a ilustre presença de Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República; Sérgio Cabral, Governador do Estado do Rio de Janeiro; Eduardo Paes, Prefeito da cidade e outras personalidades da vida esportiva nacional. Está gravado em minha memória, o êxtase irradiado por todos os membros presentes no sorteio. As manifestações de alegria, os semblantes risonhos, lágrimas, abraços, selinhos, pulinhos, hipi, hipi, urra, até o execrável é campeão. Justas manifestações e regozijos em momentos de prestígio e reconhecimento de nosso país no cenário mundial. Aquela escolha significava conquistas positivas, nomes na história, fundos para as campanhas e garantias de reeleições, demonstrava quanto é bom governar para os ricos, que não reclamam, não reivindicam, não vaiam, não esperneiam, não colocam faixas e nem queimam pneus nas rodovias, e quando o fazem, agem silenciosamente acionando os mecanismos nos bastidores para manutenção do status quo.
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domingo, janeiro 10, 2010

GOVERNADOR ARRUDA E A RODA VIVA

Neste início de 2010, os maiores causadores de aversões, indignações e vergonha causadas aos cidadãos brasilienses, estão sendo geradas pelo delicado momento institucional em que vivemos. Causa-nos ojeriza e incertezas, o cinismo nas palavras, no semblante e nas ações do Governador do Distrito Federal acusado como líder do Mensalão do DEM. José Roberto Arruda, sem partido, defende-se quando participa de eventos públicos, dando entrevistas como se nada tivesse acontecido, destilando suas ignomínias de forma jocosa e ardilosa, exercitando-se mentalmente e colocando suas palavras e orações no tempo passado, como subliminar estratégia para distanciar do olho do furacão. A opacidade de sua luz intrínseca transmite a certeza de impunidade e o tecido social demonstra estar permeado de forças estranhas, vedes o apagão no site da OAB. Arruda quando não chora, diz que perdoa seus detratores para ser perdoado. Orientado pelos estrategistas de defesa e desorientado pelo estado patológico em que se encontra, crê como a maioria da humanidade crê que tem o poder de perdoar os semelhantes. Ancestral engano, o perdão é ato divino, não é atributo de finitos seres humanos e muitos dos quais impregnados de desonestidades e mentiras, neste campo de poder e percepção minimamente nos capacitamos. Também é visto que usa estes recursos como termômetro medidor de aversão ou aceitação, procurando identificar o grau do anestesiamento moral de corações e mentes em relação à gravidade de seus atos. Exemplificando o que digo relato diálogo que tive com aluno da universidade em que estudo, quando ouvi a seguinte frase “meu patrão disse que este caso não vai dar em nada, ele rouba mais faz” Eis o velho, carcomido, e vivo jargão ademarista. Louvo a Loja Maçônica Grande Oriente que forçou o desligamento de seu membro que era portador do título de Mestre. Esta determinação dos dirigentes da Grande Loja dirime as dúvidas da sociedade, isenta a instituição, coloca no devido lugar o Grau Mestre e serve de espelho para o Parlamento do Brasil.
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terça-feira, janeiro 05, 2010

O PALADINO DA EDUCAÇÃO

Acompanho quase diariamente pela mídia eletrônica, do twitter, ao blog, tv senado, jornais e entrevistas, a obstinada vocação do senador Cristovam Buarque em defesa de educação de qualidade no Brasil. Professor Cristovam é vencedor em inúmeras idéias e propostas, e agrega em seu histórico de educador e político um sem número de conquistas. No Parlamento, as resistências ocultam-se por detrás dos pronomes de tratamento, na subliminaridade gestual, no perverso jogo de interesses e nas veleidades orquestradas pelo mutualismo. Mas onde há sombra há luz, na claridade é visível o quanto algumas idéias deste parlamentar sobre o tema educação são incompreendidas e cerceadas pelos seus pares. Comparando suas lutas sem tréguas e os resultados dos avanços educacionais no país, induz-me a pensar que, muitas vezes seu clamor soa como palavras ao vento, assemelhando-se a exegese bíblica do apóstolo João Batista clamando no deserto. Não estudo a exegese, mas por clarividência intrínseca intuo que, João Batista clamando no deserto é metáfora, o "Batista" era consciente. Cristovam Buarque clama no deserto gerado pelo obscurantismo e fisiologismo da maior parte dos políticos nacionais; na omissão do Estado brasileiro em fazer a Revolução Educacional És Tudo Pelo Estudo, isto sim, luz para todos; no desinteresse de dar luz aos grotões, pois sabem que caminharão com as próprias pernas; no medo que, a educação torna um povo fácil de guiar, mas difícil de dirigir, fácil de governar, mas impossível de escravizar (Henry Broughan, advogado e político britânico). Fazendo analogia e conjetura da bravura do guerreiro Senador Cristovam, paladino da educação e São Cristóvão, santo católico padroeiro dos viajantes, concluo que suas missões são das mais elevadas e sublimes. Servir aos semelhantes é servir a Deus, pois a nobreza é de quem serve não de quem é servido. Então, um Cristóvão entronizado como são, e o outro Cristovam por não ser são se o fosse não seria senador, continua na diária determinação de conduzir a cidadania, a cruzar os rios de águas turvas que separam pelo maniqueísmo das elites, o acesso do saber a todos.
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domingo, janeiro 03, 2010

NOEL VERDADEIRO

Ao caminhar nas ruas brasilienses desde o mês de outubro, verifiquei o extraordinário movimento anunciando o início do período natalino. A população envolvida por este clima e com os corações enternecidos, projetava e exercitava manifestações de amor ao próximo. Por ser um cidadão comum e descrente de algumas ações, observo que nesse período instala-se na humanidade, o saco do Papai Noel abarrotado de bondades, enquanto o saco das maldades humanas fica em 'stand by'. Residências, ruas e lojas enfeitadas, preparavam-se para o grande evento mundial, principalmente no Ocidente. Mercúrio, 'deus do Comércio', exultava com o entusiasmo dos consumidores e comerciantes que, embalados pelo sonho e desespero de ser feliz, inebriavam-se num frenético vai e vem, do vende tudo, gasta tudo, e compra tudo. A grande festa do mundo cristão é para ser um momento de reflexão, do que significa para a humanidade o nascimento de Jesus, o filho de Deus. Mas, sob forte pressão capitalista, o Natal transformou-se numa festa mercantilista. Sob os domínios de Baco 'deus do vinho', são externalizados todos os tipos de exageros, opulências e luxúrias, tendo como símbolo de pseudo-adoração, um personagem com barba branca postiça, gordo e vermelho, que balbucia o ininteligível ho!ho!ho! O Verdadeiro Pai Espiritual dono da festa, aniversariante de todos os dias, merecedor de todas às adorações é excluído da cena. Devo reconhecer que, em milhões de lares no mundo o dia de Natal é um dia especial,  é um dia de recolhimento, meditação, oração, reunião das famílias, entrega de presentes e alegrias, transformou-se até no dia do perdão, deseja-se Feliz Natal até aos hipotéticos inimigos. Mas, é oportuno lembrar que, o Natal é todo dia, porque todo dia é santo.


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segunda-feira, dezembro 28, 2009

PTB - DO SONHO AO PESADELO

Em 1945 Getulio Vargas fundou o PTB - Partido Trabalhista Brasileiro. O pai dos pobres criou a CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas que trouxeram direitos, deveres, benefícios e garantias aos trabalhadores brasileiros, período de sonhos e ideais de vida melhor. Em 1960 meus pais, Osvaldo e Anezina Castro, mãe de nove filhos e que também ajudava no sustento da prole, movidos por aqueles ideais, cederam espaço em sua simples moradia para a instalação de um diretório do PTB na Av. Ayrão nº 140 – Presidente Vargas – Manaus. Inaugurado com o entusiasmo de centenas de moradores e com a presença do governador Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, do deputado federal Almino Monteiro Álvares Afonso e do senador Arthur Virgílio Filho. Como partes da cerimônia de inauguração, içaram a bandeira do partido que permaneceu hasteada até março de 1964. A trajetória de 1960 ao início de 1964 foi de grandes realizações para a comunidade. Alberto de Souza Sarmento, presidente do diretório, socialista correto, inteligente e politizado, muito se empenhou pelo desenvolvimento do bairro. Minhas lembranças das reuniões e temas tratados, dos ideais políticos e dos sonhos daqueles simples proletários; da Festa das Nações dirigida por minha mãe, enlevada pelos ideais de cultura como forma de libertação e conscientização, e quando meu pai retirava todas as divisórias internas de nossa casa, transformando-a em grande salão para apresentações de canto, poesia, teatro e dança das nações; das edições do jornal O Trabalhista, por mim vendido, ao percorrer as ruas e vielas esburacadas de nossa comunidade; das lutas e reivindicações para construção do grupo escolar Antônio Teles de Souza; do saneamento e asfaltamento das ruas. Veio o golpe militar de 1964 que destruiu os sonhos de liberdade, prosperidade e avanço democrático. Com prisões, assassinatos e banimentos vivemos a era do medo, da incerteza e do obscurantismo. O golpe de 64 gerou terror, meus pais por medo e insegurança, destruíram todas as provas documentais daquela história cívica, queimaram fotos de Getulio, bandeira do PTB, atas, livros e jornais. De 1979 a 1985 vivemos os tempos de abertura no governo do gen. João Figueiredo, que sancionou a Lei de Anistia e extinguiu o bipartidarismo. No bipartidarismo, o regime militar não permitiu o uso da palavra partido, permitiu a existência de duas associações políticas nacionais, a ARENA - Aliança Renovadora Nacional, base de sustentação civil do regime de exceção, formada com membros da UDN e egressos do PSD, e o MDB – Movimento Democrático Brasileiro, com a função de fazer uma oposição bem comportada e tolerável ao regime. A abertura e o pluripartidarismo permitiram a reestruturação de partidos tradicionais que se tornaram importantes no cenário político nacional e o surgimento de outras siglas partidárias: PTB, PMDB, PSDB, PFL atual DEM, PPB, PDT, PT. Alguns desses partidos "nanicos" em muitos municípios brasileiros tornaram-se instrumentos de negociações num celerado leilão leva quem dá mais. No ano de 2008, mais precisamente em 29 de maio, numa quinta-feira, sexto dia da morte de senador Jefferson Peres, o Ajuricaba Contemporâneo, ícone da moralidade política brasileira, ainda estávamos de luto e carregando o fardo da dor coletiva pela insubstituível perda. Nesta data é interrompido o jornal da Record para a apresentação do programa político do Partido Trabalhista Brasileiro. Então, Cena Um. O Presidente Regional do PTB/AM, o ex-governador Amazonino Mendes, que de forma patética, com o olhar dúbio e lacônico falava de experiências e realizações nos seus governos, aguardava ansiosamente que falasse de probidade, moralidade e honestidade, mas sabia que dessas virtudes pouquíssimos políticos brasileiros podem falar. Cena Dois. O ex-deputado federal Roberto Jefferson Presidente Nacional do PTB, com ares de bom moço, terno bem cortado, gravata Hermès, cabelos bem penteados fixados com gel ou similar, fala pausada e bem colocada, olhar acentuadamente ladino diz que, "os cofres da Prefeitura e do Governo do Estado do Rio Janeiro estão abarrotados de dinheiro, o que precisa é saber administrar tanto a Prefeitura quanto o Governo do Estado". A fala de Roberto Jefferson nos transportou até a imagem ainda viva na memória nacional, da CPI dos Correios no ano de 2005, quando o deputado federal não explicou a origem dos quatro milhões de reais recebidos. O político profissional continuava demonstrando grande conhecimento onde se encontrava o que mais lhe interessava - o dinheiro público – a raposa continuava viva, impune e atuante. O Macunaíma da política brasileira - o herói sem caráter.
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NAVIOS NEGREIROS

Naufrágios e Malárias e Cheias e Vazantes na Amazônia, são fenômenos endêmicos há séculos. Acompanhei pelos noticiários dos veículos de comunicação os relatos das autoridades e dos sobreviventes de mais um naufrágio na região amazônica, acontecido no dia 21 de dezembro de 2009 com o Barco Motor Almirante Barroso que tombou ao bater num banco de areia, próximo a cidade de Monte Alegre/Pará, no Rio Amazonas. É grande o registro destes naufrágios nas bacias dos rios Amazonas e Negro. Anualmente, contingentes consideráveis de vidas humanas são ceifadas por afogamentos ou devoradas pelos peixes, sem que sejam indiciados e condenados os responsáveis por estes trágicos acidentes. Umas das causas frequentemente apontadas pelas autoridades e pelos sobreviventes é a superlotação. Os barcos geralmente carregam um número muito maior de passageiros e todos os tipos possíveis de cargas acima do permitido pelas normas de navegação nos rios da Região Norte. Para o cidadão comum torna-se fácil apontar os maiores responsáveis por estas tragédias amazônicas – os armadores inescrupulosos; os comandantes dos barcos que são coniventes com a ganância dos armadores; a Capitania dos Portos que não fiscaliza; a certeza da impunidade; obsoleta tecnologia usada na construção dos barcos; e a imperícia dos timoneiros. Navegam nas águas dos rios amazônicos uma das maiores frotas de barcos do mundo em água-doce, portanto, torna-se inaceitável a Capitania dos Portos, seja do Estado do Amazonas ou do Pará, dizerem que não tem recursos para fiscalizar tamanha frota. Assim justificando, mostram o tamanho do atraso, da inércia, ausência e descaso do Estado brasileiro. Cite-se o Ministro dos Transportes Alfredo Nascimento e os Capitães dos Portos destes importantes Estados. Os armadores movidos pela inconsciência e insaciável desejo do lucro, não medem as consequências, autorizando que barcos de suas propriedades naveguem com cargas acima do permitido, junte-se a este caos a certeza da impunidade. Não se tem conhecimento da responsabilização e condenação de armadores por estes acidentes, os condenados são os mortos e as famílias que perdem seus provedores e entes queridos. Condeno o mercantilismo dos armadores, mas também compreendo que vivemos num mundo capitalista, pressionados pela lógica perversa do ‘ter’cada vez mais e ‘ser’ cada vez menos, o que interessa é o lucro. O sistema hidroviário amazônico vive uma dicotomia – A Capitania dos Portos faz que fiscaliza e os armadores fazem que cumprem as normas. Seria cômico se não fosse trágico e vergonhoso, o que ocorre nos portos improvisados ou não, dos Estados do Amazonas e do Pará, nos períodos de comemorações de festas regionais e nacionais. Como percepção desta realidade, cito como exemplo, o improvisado acesso de passageiros rotulado Manaus Moderna que de moderno nada tem, afronta todos os conceitos de engenharia, urbanidade e respeito à cidadania, como também o Porto Privado de Manaus, antigo rodway da Manaós Harbour Limited. Centenas de barcos atracados no terminal flutuante e milhares de passageiros embarcando, comprimindo-se, acotovelando-se, disputando um micro-espaço em redes, instalando-se uns ao lado dos outros como se fosse gado num reduzido piquete, com péssimas condições de higiene e ventilação e o pior, com reduzidíssimas condições de segurança. Este cenário induz alusão ao óleo sobre tela ‘Guernica’ do pintor espanhol Pablo Picasso e, mais latente em nossa história e entranhas, aos Navios Negreiros. Por que não se faz a fiscalização no píer evitando a superlotação? Como se explica a ausência da Capitania dos Portos no píer? Não fiscalizar interessa somente aos armadores ou serve a outros interesses? Por que dispensar este tratamento aos usuários como se fossem cidadãos de segunda? Quando serão ouvidos os gritos roucos destes irmãos quando pedem socorro? Quando serão punidos os responsáveis por estes trágicos acidentes? Os brasileirinhos do Norte do Brasil não têm outras condições viáveis e econômicas para transitarem na região, os rios são as estradas deste grande Continente Aquático. A Justiça no Brasil precisa ser desvendada, quando cair à máscara conseguirá dar a cada um o seu quinhão, enxergará a todos sem distinções de cor, credos, raças, religiões e poder econômico. Torna-se cada vez mais inaceitável a continuação da Odisséia de Náufragos Latinos.
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GANDHI PÓS-MODERNO

Ao fazer uma síntese, do relato Alegoria da Caverna de Platão, República, Livro VII, (514a-517c), onde a metáfora do Mestre Sócrates, nos faz pensar a história humana e repensar o caminhar da humanidade. Há mais de 2500 anos na Grécia, cidade de Atenas, século IV a.C., a percepção luminosa de Sócrates no resplendor do período socrático, também conhecido como período clássico, transcende e reflete até os dias atuais, permeando sua sabedoria por toda a sociedade contemporânea. Libertamo-nos do horizonte tribal; por séculos cruzamos o horizonte agrícola; atingimos a era civilizada; vivenciamos a explosão da sociedade industrial, distanciamos do horizonte espiritual, e hoje perplexo, constatamos o enigma da sociedade tecnológica, enigmática por provocar a pergunta existencial, para onde iremos? Com o advento do computador e do celular, confirma-se a premissa de Marshall Mcluhan, filósofo e educador canadense, de que o progresso tecnológico estava reduzindo todo o planeta a uma “aldeia global”. Mas, é pertinente lembrar que o sábio Sócrates, já havia anunciado a globalização quando respondeu a Platão, “eu sou cidadão do mundo", no diálogo em torno do "Conhece-te a ti mesmo". Hoje, o céu não é mais o limite, naves espaciais tripuladas ou não invadiram o espaço sideral; a robótica, desenvolvendo robôs que falam e andam; a engenharia genética, com a manipulação e combinação de genes, clonagem e inseminação artificial; a internet, os computadores, os celulares; as pesquisas em águas profundas e abissais, no Brasil o pré-sal com suas verdades, mitos e utopias; e a nanotecnologia, capacidade potencial de criar coisas a partir do menor, isto é, em escala molecular, espetacular e inimaginável avanço, tudo e todo em busca de servir a humanidade. Segundo a Organização das Nações Unidas, assunto tratado em 2006 no Fórum Mundial Urbano na cidade de Vancouver, Canadá, mais de 900 milhões de pessoas no mundo passam fome; 100 milhões moram na rua; Cerca de 1 bilhão vive em assentamentos precários e favelas; 1,1 bilhão de pessoas não tem acesso a água e 2,4 bilhões não tem acesso a saneamento básico. É tão grave não ter o que comer e saciar a sede quanto não saber ler, a exclusão pelas letras é dantesco e crime contra a humanidade. Este é o grande paradoxo em que vivemos, o céu sem limites e o inferno de Dante Alighieri que em seu poema épico Divina Comédia, (1307-1321 dc.), narra uma odisséia pelo Inferno, Purgatório e Paraíso. Por toda esta dicotomia existencial, concluo que. Enquanto estivermos presos e acorrentados na caverna, dominados por milenar letargia, iludidos que dominamos a natureza quando na realidade a destruímos; enquanto não nos conscientizarmos que na escala evolutiva somos os mais dependentes e, cada vez mais nos tornamos individualistas, egoístas e materialistas; enquanto não nos libertarmos da insânia das guerras, do preconceito, da ignorância e dos grilhões, não acordaremos. Daqui, reduzido a uma infinitesimal partícula, ouso dizer que. O grande desafio e colossal paradigma humano é despertar em cada indivíduo "Um Gandhi Pós-Moderno" defendendo a não-agressão como princípio fundamental da pacificação, metamorfoseando-se, aceitando com senso crítico a todas as transformações tecnológicas que nos são benéficas e relegando ao desuso, todas as que nos causam graves problemas ambientais, religando-nos ao horizonte espiritual, aprendendo a sentir o eu, não o eu junguiano, mas sentir a insustentável leveza do ser, o espírito, percebendo que o ser humano também significa um irmão um mano. Assim, conseguiremos separar o joio do trigo, nos capacitaremos a escolher líderes éticos, desvinculados de históricos de improbidades e compromissados com a verdade, libertos de todas as amarras limitadoras, finitas e testamentárias. Um líder com a mão na terra e a cabeça no além.
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A EXCLUSÃO PELAS LETRAS

Por que a maioria das universidades públicas funciona apenas nos períodos diurnos ou com reduzidos cursos noturnos? São públicos e notórios que trabalhadores no período de formação escolar, durante os períodos diurnos, estão absorvidos pelo trabalho necessário para suas subsistências, e condenados a não poder estudar em uma universidade pública por causa dos conflitos de horários. As atividades diurnas nas universidades beneficiam em grande escala os filhos de famílias mais abastadas, que não precisam trabalhar e tem condições de pagar os estudos em escolas privadas. Mas, injustamente, são os jovens ricos ou classe média os ocupantes das vagas que por princípios de justiça seriam destinadas aos estudantes sem estrutura financeira para tal. Será que esta prática tão benéfica aos ricos, representa a verdadeira Reserva de Cotas?
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LOUSA VERDE, GIZ BRANCO E QUADRO NEGRO

Ao acompanhar pela mídia as homenagens, citações e comemorações ao Dia do Professor, motivaram-me a expor a visão de um cidadão e aluno de escola brasileira. O ensino público em nosso país, salvo raras exceções, de forma generalizada encontra-se em situação caótica, em latente estado patológico, com avançada diminuição do nível de consciência, e com fortes características de indiferença, sonolência e apatia. Será proposital o comportamento míope dos gestores estatais? Será que estes comportamentos estão sendo usados como estratégia de combate as palavras de Henry Broughan, advogado e político britânico que disse, “A educação torna um povo fácil de guiar, mas difícil de dirigir, fácil de governar, mas impossível de escravizar” Ao pesquisar os institutos públicos, e de conformidade com as recentes palavras do Ministro da Educação Fernando Haddad, nota-se o esforço do Estado brasileiro em investir R$ 8 bilhões de reais na educação, até 2010. São propostas de parcerias com estados e municípios que se comprometem com diretrizes estatais, desde a escolha criteriosa de diretores de escolas, a formação de conselhos escolares, e até o acompanhamento individualizado dos alunos. Programas como o PROUNI, FIES, ENEM, ENADE, cada um com suas finalidades específicas e, entre outras, o de conceder bolsas de estudos integrais ou parciais; financiar estudantes do ensino superior; democratizar, estruturar, oportunizar e mobilizar o acesso as universidades; e avaliar o desempenho dos alunos ingressantes e concluintes em relação aos programas dos cursos em que estão matriculados. Para um neófito em investimentos em educação estes recursos podem ser imensuráveis, como também pode ser pouco para a gigantesca demanda populacional tão carente de educação. Digo isto, ao direcionar o olhar as centenas ou milhares de escolas públicas espalhadas por todo o país em precárias condições físicas e estruturais, com gotejamentos e infiltrações; arquiteturas que não atendem as necessidades práticas de ensino, com baixa luminosidade, ventilação, mobilidade e ocupação espacial; escolas sem teto ou teto de palha; sem paredes, ou paredes de pau-a-pique com pisos de barro; sem carteiras e mesas, com carteiras e mesas danificadas; equipamentos sem estudos ergométricos; aulas ministradas embaixo de árvores; escolas sem bibliotecas e banheiros; escolas que são assaltadas, roubados seus equipamentos e destruídos seus laboratórios. Mais de 50 milhões de alunos estudam em escolas públicas brasileiras, em todos os níveis e modalidades de ensino, desde a Pré-Escola, as Classes de Alfabetização, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação Especial, Educação de Jovens e Adultos até o Ensino Superior. Neste universo de classes sociais encontram-se todos os tipos de cidadanias e personalidades, são milhões de alunos centrados, educados e estudiosos, oriundos de famílias estruturadas; são milhares e milhares de alunos com problemas comportamentais, oriundos de famílias desestruturadas, pais alcoólatras, com baixa estima, com dificuldades de percepção da realidade, sem educação doméstica, moldados pela cultura de massa e sem projeções para o futuro. Crianças, jovens e adultos que não aprenderam a respeitar os pais e muito menos os professores, crianças e jovens mimados que não aceitam ser contrariados, que não aprenderam a conviver com a disciplina e a liberdade, crianças com enormes dificuldades de concentração e abstração, adolescentes agressivos, ameaçadores e usuários de drogas. Este é o retrato de uma realidade sob ótica empírica, não está contextualizada sob parâmetros científicos, mas jamais deixará de ser uma realidade. E os professores? Há! Os professores! Heróis anônimos, graduados, pós e mestrados, submetidos a métodos pedagógicos que não atingem os objetivos propostos, não-reciclados, mal remunerados e desestimulados, estressados, desrespeitados, ameaçados, e às vezes até agredidos por pais e alunos. A escola não é para ser um monastério, a escola é para ser o templo, lugar de acolhimento, do sagrado e sublimação, socialmente desejável, lúdica e criativa.
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quarta-feira, dezembro 23, 2009

MARINA PRESIDENTE!

Izidoro! Cumprimento-lhe pela feliz iniciativa de debater a importância do trabalho e trajetória de Marina Silva para todos os brasileiros. Sinto-me confortável neste espaço, não apenas por acreditar na competência e por compartilhar um pouco das conquistas da política Marina Silva. Sobretudo, por saber que é possível, sim, resgatar utopias. Quem sabe, com a eleição de Marina Silva à Presidência este país volte, de fato, seu olhar para aquilo que de mais sagrado existe para a sobrevivência do ser humano na Terra: o ambiente conservado e a valorização da vida.

[montezumacruz@gmail.com][www.agenciaamazonia.com.br][Guará I - DF]









Izidoro!

POLÍTICA, ESPIRITUALIDADE E GOVERNABILIDADE

Talvez o mais famoso líder na história da humanidade do ponto de vista de liderança e espiritualidade tenha sido Moisés. Ele preenchia, segundo relatos bíblicos, a capacidade de reunir os aspectos essenciais de um líder. Sua compaixão e preocupação pelos seres vivos, segundo o Antigo Testamento, despertaram a observação de Deus que viu nos seus gestos, o homem ideal para liderar um povo com sabedoria, firmeza e os devidos valores espirituais. Mas porque um líder teria que, acima de tudo, estar imbuído não só dos valores que o levam ao poder, mas também de uma sensibilidade espiritual que o guiasse no decorrer de seu mandato? A resposta pode estar tanto na história da humanidade quanto nos Livros Sagrados. A cada dia observamos que a falta de uma bússola espiritual aos líderes em geral, os faz distanciarem-se do povo, de seus objetivos provedores, de seus valores éticos, tornando o exercício do poder algo mecanicista, articulatório, onde os interesses pessoais e materialistas se assombram sob o som de uma orquestra que visa à manutenção das vantagens dos que compartilham o poder, transformando a governança, insensível aos valores morais, da boa conduta humana e do bom exemplo. Alguns alegam que existe hoje em dia uma tendência fundamentalista-religiosa em muitos países e, com certeza, todo exagero quer seja ele de qual for a origem, não é saudável. Contudo, a história demonstra que frágil é a sociedade sem os devidos preceitos que elevam o ser humano e que sem um esteio espiritual - seja ele fruto de qualquer religião -, tende a levar a humanidade à fraqueza moral, à desestruturação da sociedade, e por conseqüência, à queda de seus líderes. No Brasil, sob a égide da esquerda marxista, pouco se valorizou os ideais espirituais nos últimos anos. Muito se falou em desenvolvimento material, em planos de aceleração do crescimento, mas quase nada evoluímos nos conceitos que também somam à dignidade humana, como a ética, os predicados de uma vida saudável, os exemplos de probidade e honestidade pública e o combate à corrupção. Vejo como uma luz de esperança candidatos como Marina Silva, que através de uma luta pessoal, vencendo os obstáculos da miséria no decorrer de sua vida, sempre demonstrou uma espiritualidade acentuada. Em vez de ter travado uma luta ideológica de classes, Marina o preferiu fazer na defesa das florestas, dos animais e do planeta, optando, portanto, por um caminho politicamente mais tortuoso, mas que aos olhos de Deus, na defesa dos seres vivos, talvez escolha torná-la uma líder, como aquele que um dia libertou um povo da escravidão e que, certamente, poderá também nos libertar desse "Egito político" que hoje vivemos no Brasil, em nome da chamada "governabilidade".

Advogado, Pós Graduado em Direito Processual, Professor do Curso de Pós-Graduação em Direito da Universidade Paulista, coordenador da Comissão de Direitos e Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil-SP e membro efetivo da Comissão de Direito Humanos da OAB-SP. Veja o Blog do Rizzolo





MARINA TEM A NOSSA CARA

"A história de vida de Marina Silva é povoada de grandes momentos. Mas ela nasceu em um ambiente simples. Na colocação de seringa chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros da cidade de Rio Branco. Hoje o local é um projeto de assentamento de agricultores executado pelo INCRA. Mas em 08 de fevereiro de 1958, data de seu nascimento, não havia estrada, e a longa viagem pelo rio tornava quase impossível qualquer assistência médica. As parteiras dos seringais "pegavam" as crianças e, com olho experiente, diagnosticavam se tinham ou não condições de "vingar" em meio à alta mortalidade infantil da floresta. Dos onze filhos de Pedro Augusto e Maria Augusta - pais de Marina da Silva, três morreram ainda pequenos. Ela ficou sendo a segunda filha mais velha dos oito sobreviventes, sete mulheres e um homem. A família baixou o rio para tentar a vida em Belém do Pará. Não deu certo. O pai trouxe todo mundo de volta ao seringal, fazendo uma enorme dívida com o patrão seringalista que pagou as despesas da viagem. As filhas foram o auxílio de que se valeu para pagar a dívida. Marina e as irmãs cortaram seringa, plantaram roçados, caçaram, pescaram, ajudaram a restabelecer as finanças e a estabilidade da família no seringal. Escola não havia. Aos 14 anos Marina aprendeu a conhecer as horas no relógio e as quatro operações da matemática para não ser enganada pelos regatões na venda da borracha. Aos 15 anos ficou órfã da mãe e, como a irmã mais velha havia casado, assumiu a chefia da casa e a criação dos irmãos mais novos. Aos 16 anos contraiu hepatite e teve que ir para a cidade, em busca de tratamento médico. Resolveu ficar, trabalhando como empregada doméstica, porque queria estudar. Tinha um sonho: ser freira. Havia aprendido com a avó as rezas e devoções da religião católica. Achava que na vida religiosa poderia formar seu caráter dentro da moralidade exigida pelas tradições dos nordestinos que povoaram os seringais da Amazônia, sendo seu pai um deles. Ao mesmo tempo ficava fascinada pela possibilidade de estudar nas escolas da igreja, que eram as melhores da região. Começou a frequentar as aulas do Mobral, depois o curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever. Foi morar com as freiras. Fez o supletivo de 1º grau. Matriculou-se no colegial, mas foi novamente no supletivo que obteve o diploma de 2º grau. Antes dos 20 anos, já se preparava para fazer o vestibular e entrar na universidade. A essa altura, já havia abandonado o sonho de ser freira. Frequentando as reuniões das Comunidades Eclesiais de Base e aproximando-se dos grupos de teatro amador, percebeu que não aspirava a vida do convento, mas a ação no mundo. E que isso não representava nenhum prejuízo em suas convicções religiosas e morais. Nas lutas dos moradores de seu bairro, descobriu a política não-partidária dos movimentos sociais. Na escola, aproximou-se das lideranças do movimento estudantil. Uma nova hepatite fez com que perdesse as provas do vestibular. Deixou o noivo Raimundo Souza esperando e pediu ajuda ao Bispo D. Moacir Grecchi para viajar a São Paulo em busca de tratamento. Quando voltou, o casamento adiou por mais um ano sua entrada na universidade. Mas no ano seguinte, já grávida da primeira filha, iniciou o curso de História, que concluiu em quatro anos. Foi o padre João Carlos, da paróquia que frequentava, quem sugeriu o nome hebraico Shalon para a filha. Um ano depois nasceu Danilo, nome colocado em homenagem a um amigo, artista plástico e companheiro do grupo de teatro. Na universidade descobriu o marxismo. Entrou para o PRC, um dos vários grupos semi-clandestinos que atuavam na oposição ao regime militar. Começou a dar aulas de história e frequentar as reuniões do movimento sindical dos professores. Casou-se duas vezes. Do segundo casamento, com Fábio Vaz de Lima, nasceram mais duas filhas: Moara e Mayara. O horizonte de Marina Silva nunca parou de se alargar. Hoje, ao currículo onde reúne a experiência como professora de história, líder estudantil e sindical, vereadora, deputada estadual, senadora e ministra do Meio Ambiente, Marina está juntando um curso de Pós-graduação em Psicopedagogia, que deverá concluir ainda em 2008 e acrescentará mais um campo de atuação na história desta ex-seringueira que até os 16 anos pouco sabia da vida urbana, mas já conhecia a fundo os segredos da floresta. A biografia de Marina Silva fez com que ela fosse escolhida pelo jornal britânico The Guardian, em 2007, uma das 50 pessoas em condições de ajudar a salvar o planeta. Mas sua lista de premiações e reconhecimentos nacionais e internacionais é longa. Entre muitos outros, ela recebeu o prêmio "2007 Champions of the Earth", o maior prêmio concedido pelas Nações Unidas na área ambiental. No dia 29 de outubro de 2008, a senadora recebeu das mãos do príncipe Phillip da Inglaterra, no palácio de Saint James, em Londres, a medalha Duque de Edimburgo, em reconhecimento à sua trajetória e luta em defesa da Amazônia brasileira, o prêmio mais importante concedido pela Rede WWF. Em junho de 2009 recebeu o prêmio Sophie, por seu trabalho em defesa do meio ambiente, oferecido pela fundação norueguesa Sophie, criado pelo escritor norueguês Jostein Gaarder, autor do best seller "O Mundo de Sofia"
Nota: texto extraido "ipsis litteris" da biografia da Senadora Marina Silva, editado na página: marinasi@senado.gov.br


PORQUE APOIO MARINA PARA PRESIDENTE

Em 15 de novembro de 1982 votei em Luiz Inácio Lula da Silva para governador de São Paulo, Lula perdeu a eleição para Franco Montoro. Identifiquei-me com seu discurso e luta, tornei-me um eleitor fisiológico, e assim, exercendo meu direito de cidadão, e de escolher meus representantes nos poderes legalmente constituídos, segui votando nos candidatos que apresentavam propostas éticas, comprometidas com a moralidade na administração pública, no combate a corrupção, no investimento na educação e desvinculados a históricos de improbidade. No pleno exercício deste direito, elegemos Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República. Não posso deixar de reconhecer o avanço que o Brasil conquista no governo Lula, mesmo sabendo que promessas de campanha não foram cumpridas, projetos governamentais não saíram do campo das idéias, o Programa de Aceleração do Crescimento, sofre atrasos. Outros continuam paralisados pelo Tribunal de Contas da União com suspeitas de improbidade e malversação do dinheiro público, práticas que pouco mudaram desde o Brasil República. Seria injusto imputar ao governo Lula a responsabilidade por todas as mazelas acontecidas em seu governo. Reconheço quão difícil é administrar um país com grande extensão territorial e enormes diversidades econômicas e culturais, um Parlamento dominador e dominado pelo fisiologismo, clientelismo e nepotismo, onde alguns parlamentares tratam o país como seu próprio feudo, e seus domicílios eleitorais como capitanias hereditárias. Nas regiões onde exercem seus maiores poderes políticos, dominam corações e mentes como se vivessem no período colonial no início do século XVI. Somos um dos países mais ricos do mundo, portador de riquezas que nos colocaria no grupo das oito nações mais desenvolvidas do planeta. Por que ainda não conquistamos este lugar? Porque sofremos a grave anomalia da corrupção e do clientelismo político, irregularidades que nos projeta ao fundo do poço, nos classifica como país de baixos índices de desenvolvimento humano e perversa distribuição de rendas. Somos o Continente Brasil inserido na América Continental com forte herança e densidade cultural, mas que ainda permanece deitado eternamente, sonhando em berço esplêndido. Apesar de tudo demos um salto no futuro, às vezes saltando no escuro, muitas das vezes navegando com piloto automático, e felizmente na vanguarda de algumas ações positivas -, a melhoria das condições de vida dos trabalhadores, a preservação das liberdades democráticas, o combate e o controle da inflação, o equilíbrio econômico do país, a excelência na produção de petróleo e a previsão das conquistas do pré-sal. O Brasil é um país plural, maior do que todo e qualquer governante, por ser maior, não pode ficar a mercê do sonho de poder de um partido ou de um grande líder popular. O Partido dos Trabalhadores não teve a competência de realizar nossa utopia, mas Lula está completando com méritos duas administrações, mas basta! O sonho acabou “quem não dormiu de sleeping-bag nem sequer sonhou” As declarações do Chefe do Poder Executivo apoiando explicitamente a permanência do senador José Sarney na Presidência do Senado, foram à gota d'água. Lula comprometeu sua metamorfose ambulante, apequenou-se, maculou sua biografia, apoiou um cidadão que está no ocaso da trajetória política, acusado de práticas que caberiam muito mais ao comum José Ribamar Ferreira de Araujo Costa, do que ao ‘incomum’ José Sarney, Presidente Circunstancial do Brasil, no período de 15 de março de 1985 a 15 de março de 1990. Não me senti envergonhado ante os eleitores de oposição ao governo e reconheço erros nas lideranças que ajudei a eleger. Mas senti indignação com a decisão política do Presidente da República ao aliar-se com os senadores, Fernando Collor, Renan Calheiros e Jader Barbalho. A maturidade política e a escola da vida nos permitem ver que, um cidadão ungido pela pureza jamais disputará um cargo público ou privado, a política é visceralmente desassociada da santidade. Mas a utopia continua, hoje vivemos um novo dia, chegou a hora de mudanças e nós podemos mudar pelo voto fazendo assepsia nos partidos, nos libertando do lado cínico deste jogo político, mudando o ar impuro, oxigenando a plenos pulmões e buscando um novo norte. Marina Silva é a perspectiva de uma mulher assumir o poder no Brasil. Marina não personifica a pureza, tem a nossa cara, é humana e vencedora, tem perfil e trajetória, tem ética e tem história.
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terça-feira, dezembro 22, 2009

COLIFORMES FECAIS, A CONSTATAÇÃO

Ao ouvir as palavras do Presidente Lula no dia 10 de dezembro de 2009 na cidade de São Luís/MA, ao discursar a multidão durante a cerimônia de lançamento do programa “Minha Casa, Minha Vida” quando usou termos chulos ao dizer, “eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB, eu não quero saber se o outro é do PFL, eu não quero saber se é do PT. Eu quero saber se o povo está na merda, eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra. Esse é o dado concreto”. Ao ouvir tamanha ignomínia vernacular, veio à memória uma experiência vivida numa hidroviagem realizada no mês de fevereiro de 2007 no trecho marítimo de Belém à Manaus. Viajava no Navio Motor Clívia, fabricado no ano de 1911 com toda a estrutura em ferro, dotado de três pavimentos para passageiros e porão para cargas. No terceiro convés está instalada a pequena sala de comando e mais dezesseis minúsculos camarotes com ar-condicionado central. Este convés possui minúsculo banheiro e sanitário coletivo, ambiente úmido, fétido e nauseabundo, e sem tratamento dos excrementos humanos que são jogados diretamente no rio; um bar conjugado a uma área de lazer com cadeiras e mesas, onde imaginei que poderia fazer as leituras de livros que conduzia e extasiar-me com o existencial e belo reino das águas. Ledo engano, o bar que funcionava das 08h00 às 22h00 lotado de passageiros, inebriados por músicas de péssimo gosto musical e com volume acima de 80 decibéis, que não permitia de lugar algum apreciar o silêncio da natureza. As músicas com letras de forte apelo emocional, do conhecido canto chorado e amor fracassado, as letras de duplo sentido. No segundo convés mais seis camarotes e dezenas de redes instaladas, coladas umas nas outras. No primeiro convés instalado mais dezenas de redes, um banheiro e sanitário coletivo que atendia os dois pavimentos, o acesso à casa de máquinas, um minúsculo refeitório que atendia a todos os passageiros, e a cozinha, ambientes dominados pelo excessivo e intermitente ruído dos motores. No refeitório, a presença de animais domésticos enjaulados durante os cinco dias de viagem e sem a mínima higienização, transformando o lugar num ambiente barulhento e fétido. No porão, enorme quantidade de gêneros alimentícios, máquinas, móveis, gases, materiais de construção e equipamentos. A convivência com garimpeiros, seringueiros, caboclos, índios, contadores de histórias, prostitutas, mentirosos e aventureiros, desenvolveu-se de forma amistosa e cordial, mostrou-me a riqueza desses tipos humanos, cidadãos brasileiros que vivem a margem dos direitos constantes em nossa Carta Constitucional e entregues a própria sorte, ao flutuarem nos rios, na subida e descida das águas, e recebendo um tratamento humilhante. Causou-me perplexão o comportamento silencioso dos passageiros que demonstravam aceitar passivamente aquela prestação de serviços, possivelmente por não vislumbrarem outra realidade, contentando-se com o destino e como único meio e fim de suas vidas. Ao fazer uma auto-análise percebi minha semelhança com aqueles irmãos amazônidas, senti na pele como é ser tratado como se fôssemos a raia miúda a plebe rude. Naquele ambiente encontravam-se todos os Movimentos Sociais, dos sem terras, aos sem tetos, vitórias, sem esperanças, escolas, trabalho digno, e sem saúde. Como constatação da enorme carência de educação doméstica e cultura ambiental, lançavam ao rio Amazonas por sobre a balaustrada, todo o lixo da sociedade de consumo, desde as latas de bebidas, sacos e garrafas plásticas, a embalagens de balas e chocolates. Ao ver estas cenas que a princípio causaram-me enorme indignação, perguntei. Quando seremos tratados com palavras e ações dignas e deixaremos de beber água poluída por lixo e dejetos humanos?

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